O Vitória pode até ter motivos para comemorar a grande campanha na Copa do Brasil, mas não dá para usar a competição como escudo para esconder um problema que está ficando cada vez mais evidente: o time não consegue vencer fora de casa no Campeonato Brasileiro.
A derrota por 2 a 0 para o Flamengo, no Maracanã, neste domingo (9), foi mais um capítulo dessa história. E o próprio Jair Ventura reconheceu o que a torcida já percebeu há algum tempo: o jejum incomoda, precisa ser cobrado e precisa acabar. (Galáticos Online)
“Estamos sem vencer fora de casa, temos que ser cobrados e queremos melhorar”, afirmou o treinador.
É uma fala correta. Mas, neste momento, o torcedor quer mais do que reconhecimento. Quer resposta dentro de campo.
Não dá para viver apenas do Barradão
O Vitória construiu uma força considerável jogando em casa. O problema é que o Campeonato Brasileiro não permite que um time faça campanha competitiva dependendo exclusivamente dos jogos no Barradão.
Depois de 22 rodadas, o Leão tem 26 pontos e ocupa a 13ª posição. A distância para a zona de rebaixamento é de apenas quatro pontos. Ou seja: não existe margem para acomodação. (Galáticos Online)
E é justamente aí que mora o perigo.
Uma equipe que não consegue pontuar fora acaba transformando cada partida em casa em uma decisão. Isso aumenta a pressão, reduz a margem para erros e pode fazer uma campanha que hoje parece administrável se transformar em uma briga desconfortável na reta final.
As desculpas existem, mas não podem virar rotina
É justo reconhecer que Jair teve problemas para escalar o time contra o Flamengo. Foram cinco desfalques, além do desgaste provocado pela sequência pesada de jogos da Copa do Brasil. O treinador também avaliou que o Vitória conseguiu equilibrar mais a partida no segundo tempo, antes de sofrer o gol de Pulgar e praticamente perder as chances de reação. (Galáticos Online)
Tudo isso é verdade.
Mas também é verdade que o problema de jogar fora não nasceu no Maracanã.
O desgaste explica uma partida. Os desfalques explicam outra. Um adversário mais forte pode justificar uma derrota. Só que, quando o mesmo problema aparece repetidamente, deixa de ser circunstância e passa a ser questão estrutural.
E o Vitória precisa encarar isso.
Jair está certo em dizer que nenhum jogo é descartável
Um ponto positivo na declaração do treinador foi não tratar o duelo contra o Flamengo como uma partida que poderia ser simplesmente jogada fora por causa da Copa do Brasil.
Não pode mesmo.
O Vitória avançou de maneira brilhante na competição mata-mata, inclusive com uma goleada histórica sobre o Athletico-PR, mas o Brasileirão continua sendo o campeonato que exige regularidade. (Galáticos Online)
Jair sabe disso e deixou claro que o foco precisa voltar para a Série A.
Agora, porém, será preciso transformar discurso em comportamento.
A boa notícia é que o calendário oferece uma oportunidade
O Vitória terá dois jogos consecutivos no Barradão: primeiro contra o Botafogo, no dia 16, e depois diante do Bahia, no dia 23. (Galáticos Online)
É uma sequência importante.
Mas existe uma ironia aí: justamente porque o Vitória é muito mais forte em casa, esses dois jogos podem aliviar a situação na tabela. Por outro lado, também podem aumentar a pressão caso os resultados não apareçam.
O torcedor rubro-negro já sabe que o time consegue competir. A classificação na Copa do Brasil mostrou isso. O que falta é encontrar a mesma competitividade quando o cenário muda, principalmente longe de Salvador.
O Vitória precisa parar de escolher qual campeonato jogar
Não existe espaço, neste momento, para pensar que a Copa do Brasil pode ser a prioridade absoluta enquanto o Brasileirão fica em segundo plano.
Uma campanha de destaque no mata-mata é excelente. Dá dinheiro, confiança e mobiliza a torcida. Mas uma sequência ruim na Série A cobra uma conta muito mais pesada.
Por isso, quando Jair diz que o grupo está incomodado, a declaração precisa ser levada a sério.
Estar incomodado é o primeiro passo. Resolver é o que realmente importa.
O Vitória já mostrou que tem capacidade para fazer grandes jogos. Agora precisa provar que consegue transformar essa capacidade em regularidade.
Porque, no Brasileirão, jogar bem de vez em quando não basta. E depender eternamente do Barradão é uma estratégia perigosa demais para quem quer terminar a temporada longe da parte de baixo da tabela.
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