A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (3) a 3ª fase da Operação Overclean para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar em fraudes de licitações, desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. Ao todo, 16 mandados de busca e apreensão são cumpridos em Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Aracaju. Um servidor foi afastado de suas funções na capital mineira. Os nomes dos alvos não foram divulgados.
O suposto esquema teria movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão por meio de contratos fraudulentos e obras superfaturadas, por meio de emendas parlamentares enviadas ao Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra as Secas.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
A primeira etapa da Overclean mirou a atuação do empresário José Marcos de Moura, conhecido como Rei do lixo, apontado como um dos operadores do suposto e ligado a políticos com quem firmava contratos públicos.
Moura é amigo de ACM Neto e integra a cúpula do União Brasil, sigla da qual o ex-prefeito de Salvador é vice-presidente nacional. ACM Neto não é investigado no caso.
O empresário foi um dos presos preventivamente junto com outras 16 pessoas na primeira fase da ação. Procurada em ocasiões anteriores, a defesa do empresário não se manifestou.
Outros presos à época foram o então vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Cafezeiro (Republicanos); o secretário de Mobilidade Urbana de Vitória da Conquista, Lucas Moreira Martins Dias; o policial federal Rogério Magno de Almeida Medeiros; o ex-prefeito de Santa Cruz da Vitória, Carlos André de Brito Coelho, e Francisco Nascimento, vereador de Campo Formoso pelo União Brasil. Francisco Nascimento é primo do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil), um dos líderes do centrão, e ex-secretário executivo da Prefeitura de Campo Formoso, comandada por Elmo Nascimento (União Brasil), irmão de Elmar —ambos não são investigados. Durante a ação da PF em seu imóvel, ele jogou uma sacola de dinheiro pela janela.
No mesmo dia em que a Overclen foi deflagrada, o servidor Flávio Pimenta, também preso, foi exonerado do cargo que ocupava na Secretaria de Educação de Salvador. De acordo com as investigações, Pimenta também “aderiu ao pacto criminoso”. A PF, no entanto, disse não haver indícios de participação do titular da pasta, Thiago Dantas.
Todos acabaram em liberdade sob determinação de cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.