{"id":9025,"date":"2024-05-08T10:34:26","date_gmt":"2024-05-08T13:34:26","guid":{"rendered":"https:\/\/diabahia.com.br\/?p=9025"},"modified":"2024-05-08T10:34:29","modified_gmt":"2024-05-08T13:34:29","slug":"quem-foi-dona-cabeluda-cafetina-mais-famosa-do-reconcavo-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diabahia.com.br\/index.php\/2024\/05\/08\/quem-foi-dona-cabeluda-cafetina-mais-famosa-do-reconcavo-baiano\/","title":{"rendered":"Quem foi Dona Cabeluda, cafetina mais famosa do Rec\u00f4ncavo Baiano"},"content":{"rendered":"\n<p>Renildes Alc\u00e2ntara dos Santos, conhecida como Cabeluda, morreu nesta segunda-feira (6). Enterro parou o Rec\u00f4ncavo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Cachoeira, \u00e9 dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m que n\u00e3o conhe\u00e7a Dona Cabeluda. A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/minha-bahia\/morre-dona-cabeluda-a-cafetina-mais-famosa-do-reconcavo-da-bahia-0524\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cafetina de 80 anos, que faleceu nesta segunda-feira (6), \u00e9 a mais famosa da regi\u00e3o e considerada a \u00faltima da cidade<\/a>. Dona de um brega em pleno centro da cidade, existiu resistindo nas quase cinco d\u00e9cadas que viveu na cidade do rec\u00f4ncavo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-n50wdndbr6\">Natural de Itabuna, no sul do estado, Renildes Alc\u00e2ntara dos Santos sofria agress\u00f5es dos pais durante a inf\u00e2ncia. Se casou aos 12 anos com um homem mais velho e foi morar com ele numa casa na fazenda da fam\u00edlia. O casamento tamb\u00e9m era abusivo: a viol\u00eancia agora vinha do marido. Cerca de quatro anos depois, deixou com a m\u00e3e as duas filhas que teve no casamento e fugiu. Na rota, estavam cidades como Feira de Santana e Candeias. De parada em parada nos carros de viagem, sem len\u00e7o, documento ou alfabetiza\u00e7\u00e3o, chegou em Cachoeira.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-6fujkpuupj\">Come\u00e7ou vendendo bebidas e foi apresentada \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o por uma amiga. Seu primeiro ponto foi na Travessa Tavares, pr\u00f3ximo ao est\u00e1dio da cidade. Mesmo precisando de dinheiro, ela preferia ser prostituta a trabalhar em casas de fam\u00edlia, relatou Gleysa Teixeira, autora do livro Uma Hist\u00f3ria de &#8220;Cabeluda&#8221;: Mulher, M\u00e3e e Cafetina, fruto da sua pesquisa de mestrado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/diabahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cabeluda-2-1024x576.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-9027\" srcset=\"https:\/\/diabahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cabeluda-2-1024x576.webp 1024w, https:\/\/diabahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cabeluda-2-300x169.webp 300w, https:\/\/diabahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cabeluda-2-768x432.webp 768w, https:\/\/diabahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/cabeluda-2.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Cabeluda comandou por d\u00e9cadas o brega de mesmo nome\u00a0Cr\u00e9dito: Ana Lucia Albuquerque\/CORREIO<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-iepenek044\">\u201cAt\u00e9 a quest\u00e3o da cafetinagem dela era diferente. Porque ela ela \u00e9 dona de uma casa de prostitui\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 como se fosse uma \u2018cafetinagem branda\u2019, se assim posso dizer, porque ela n\u00e3o agenciava o valor do programa, ela alugava o quarto para as meninas. E a gente sabe que, na hist\u00f3ria da prostitui\u00e7\u00e3o, muitos cafet\u00f5es acabavam tamb\u00e9m agenciando o programa em si, quanto vale o programa o sexo daquela mulher. No caso de Cabeluda, as mulheres tinham a liberdade de determinar seus pre\u00e7os\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-onaupw1kg9\">Ainda assim, ela incomodava as autoridades. Segundo Gleysa, havia na Justi\u00e7a um processo que pedia o fechamento do brega, que s\u00f3 foi arquivado ap\u00f3s o lan\u00e7amento do livro. O filho adotivo mais velho, Aguinaldo de Souza, de 54 anos, afirma que esse n\u00e3o foi o \u00fanico pedido do tipo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-g8tc9mmbng\">\u201cEla foi a \u00faltima a resistir, e n\u00f3s vamos continuar resistindo. Todo juiz que entra quer fechar a casa dela, mas n\u00e3o consegue\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-t9gvl2cgj5\">Gleysa e Cabeluda se tornaram amigas pr\u00f3ximas nos cinco anos de pesquisa. Quando chegou o momento de defender o mestrado e apresentar o resultado dos anos de observa\u00e7\u00e3o, fez quest\u00e3o de apresentar no brega, para que a cafetina pudesse assistir de perto e com o objetivo de levar a academia ao local.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-wp8xxzcp34\">Para a pesquisadora, o falecimento da amiga marca o fim de um ciclo. \u201cO vestido que estou usando hoje, eu s\u00f3 usei uma outra vez, que foi na defesa do mestrado. Depois disso, nunca mais consegui, nem na Bienal deste ano, n\u00e3o sei por qu\u00ea. Hoje, tive que usar. Ele significou o in\u00edcio de um ciclo, que agora eu encerro com um vazio dentro de mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-bf3xqy1okx\">Com oito filhos adotivos, Reinildes \u00e9 conhecida tamb\u00e9m pela facilidade em acolher a todos que precisam. Aguinaldo, o mais velho, foi amparado por ela ainda aos 13 anos. Na \u00e9poca, uma enchente no Rio Paragua\u00e7u tomou conta da casa onde a cafetina morava, o que a fez alugar outra no bairro de cima. O menino, distante dos pais, logo se apegou a ela.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-fvsj06j6k9\">\u201cA gente fez amizade. Era \u2018minha m\u00e3e\u2019 para l\u00e1, \u2018minha m\u00e3e\u2019 para c\u00e1, e quando ela desceu eu desci junto com ela. Meus pais morreram em Salvador, eu tenho oito irm\u00e3os, morava com uma av\u00f3\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-r8j0e8akba\">Sempre de cabelos longos e muitos pelos no corpo, n\u00e3o demorou muito para que Reinildes passasse a ser chamada de Cabeluda pelas pessoas ao seu redor. O apelido pegou e, posteriormente, deu nome ao brega comandado por ela.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-qorti8r2l1\">O professor e sacerdote Marcelino Gomes, 74, cultivou com ela uma amizade desde que era garoto. Na juventude, ap\u00f3s ministrar aulas durante todo o dia, por vezes conseguia ir at\u00e9 o brega e \u2018namorar\u2019 com uma das meninas.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-pmsjbo1pf0\">\u201cO que n\u00f3s estamos passando agora com ela, passamos com a morte de Dami\u00e3o, dono do bar vizinho \u00e0 casa dela, h\u00e1 uns seis meses. A meninada ficava sempre entre o bar dele e o dela. Agora, ela foi embora e a gente j\u00e1 ouviu algu\u00e9m falar que acabou a farra maravilhosa de Cachoeira\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"paragrafo-mbdhfbwnaj\"><em>*Jornal Correio<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renildes Alc\u00e2ntara dos Santos, conhecida como Cabeluda, morreu nesta segunda-feira (6). Enterro parou o Rec\u00f4ncavo. Por Cachoeira, \u00e9 dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m que n\u00e3o conhe\u00e7a Dona Cabeluda. A\u00a0cafetina de 80 anos, que faleceu nesta segunda-feira (6), \u00e9 a mais famosa da regi\u00e3o e considerada a \u00faltima da cidade. 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