{"id":5131,"date":"2023-10-31T13:14:21","date_gmt":"2023-10-31T16:14:21","guid":{"rendered":"https:\/\/diabahia.com.br\/?p=5131"},"modified":"2023-10-31T13:14:23","modified_gmt":"2023-10-31T16:14:23","slug":"conheca-a-cidade-da-cachaca-que-tem-mais-idosos-do-que-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diabahia.com.br\/index.php\/2023\/10\/31\/conheca-a-cidade-da-cachaca-que-tem-mais-idosos-do-que-criancas\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a a &#8220;cidade da cacha\u00e7a&#8221;, que tem mais idosos do que crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"\n<p>Sabe aquela frase que diz que os pais criam os filhos para o mundo? Em Aba\u00edra, cidade baiana de pouco mais de 7,3 mil habitantes, o ditado \u00e9 levado a s\u00e9rio. Jovens adultos que n\u00e3o querem trabalhar no com\u00e9rcio, prefeitura ou na zona rural deixam o munic\u00edpio em busca de oportunidades de emprego e renda. O resultado disso \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o envelhecida, que coloca Aba\u00edra como uma das cinco cidades da Bahia em que o n\u00famero de idosos \u00e9 maior do que a quantidade de crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) ilustraram o que especialistas avisavam: o pa\u00eds est\u00e1 envelhecendo. Com menos crian\u00e7as nascendo e as pessoas vivendo mais, o Brasil possui 55,2 idosos para cada 100 crian\u00e7as at\u00e9 14 anos. Na Bahia, s\u00e3o 56,2 para cada 100. O fen\u00f4meno \u00e9 ainda mais acelerado em munic\u00edpios do centro- sul do estado, onde a propor\u00e7\u00e3o de idosos chega a ser o dobro da m\u00e9dia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o caso da pequena Aba\u00edra, cidade que possui a maior propor\u00e7\u00e3o de pessoas acima de 65 anos do estado. S\u00e3o 137 idosos para cada 100 crian\u00e7as. \u201cA gente conhece bem essa realidade, \u00e9 s\u00f3 andar na rua para ver que s\u00e3o mais idosos\u201d, diz Ana, de 40 anos. Na loja em que trabalha, em frente a Pra\u00e7a Francisco Pereira, ela acompanha o ritmo lento da cidade onde nasceu.<\/p>\n\n\n\n<p>O munic\u00edpio localizado no centro da Chapada Diamantina s\u00f3 se tornou independente em 1962, quando foi separado oficialmente de Piat\u00e3. A economia de Aba\u00edra gira em torno da produ\u00e7\u00e3o artesanal da cacha\u00e7a, que \u00e9 realizada em associa\u00e7\u00f5es espalhadas pela cidade. Na pra\u00e7a onde Ana trabalha, a Igreja e a prefeitura s\u00e3o vizinhas de grandes monumentos que homenageiam a atividade econ\u00f4mica: um barril e uma grande garrafa de aguardente fazem jus ao t\u00edtulo de &#8220;cidade da cacha\u00e7a&#8221;.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Aba\u00edra, as cidades&nbsp;Jussiape, Jacaraci, Guajeru e Ibiassuc\u00ea s\u00e3o as que o n\u00famero de idosos j\u00e1 supera a quantidade de crian\u00e7as.&nbsp;Apesar de nunca ter sa\u00eddo de Aba\u00edra, a cada dia que passa Ana se acostuma com a ideia de ver o \u00fanico filho, de 16 anos, partir em busca de melhores oportunidades de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O adolescente quer estudar computa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 faculdades na cidade. O campus da Universidade Estadual do Sudeste da Bahia (UESB), em Vit\u00f3ria da Conquista, atrai jovens de Aba\u00edra que desejam entrar na universidade. A dist\u00e2ncia entre as duas cidades \u00e9 de 260 quil\u00f4metros.&nbsp;Ana, que tamb\u00e9m j\u00e1 quis deixar a cidade, espera ver no filho a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho que j\u00e1 lhe foi pr\u00f3prio. \u201cEle provavelmente vai fazer o que os outros jovens fazem, que \u00e9 sair da cidade para estudar\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ge\u00f3grafo e professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Cl\u00edmaco Dias, os dados do Censo 2022 retratam a fraca produtividade econ\u00f4mica de parte do centro-sul baiano, onde as cinco cidades est\u00e3o localizadas. \u201c\u00c9 uma caracter\u00edstica regional de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica estrutural que se perpetua\u201d, ressalta. O \u00edndice de envelhecimento (propor\u00e7\u00e3o de idosos em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de crian\u00e7as) \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia da Bahia em 6 a cada dez cidades baianas, segundo o IBGE.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sem a cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalhos, os jovens migram para outras cidades, o que perpetua o ciclo de desigualdades regionais dentro da Bahia. De um lado, munic\u00edpios viram polos atrativos e, do outro, as cidades envelhecem em ritmo acelerado. \u201cExistem cidades italianas, por exemplo, em que o governo oferece dinheiro para quem tem filho, mas o que resolve a quest\u00e3o \u00e9 um dinamismo econ\u00f4mico gerador de emprego\u201d, completa o ge\u00f3grafo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Jussiape, onde a propor\u00e7\u00e3o \u00e9 de 117,2 idosos para cada 100 crian\u00e7as, a popula\u00e7\u00e3o da cidade diminuiu quase 9% entre 2010 e 2022, chegando a 7.379 pessoas. Nilzete Lisboa, 36, tem dois filhos e espera que o mais velho, de 17 anos, busque oportunidades fora do munic\u00edpio. \u201cEu n\u00e3o sei se o que eu quero \u00e9 a mesma coisa que ele deseja, mas para mim n\u00e3o seria um problema se ele fosse para outra cidade porque aqui n\u00e3o tem muita op\u00e7\u00e3o\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Envelhecimento na capital<\/h3>\n\n\n\n<p>Em Salvador, o processo de envelhecimento tamb\u00e9m \u00e9 mais acelerado do que a m\u00e9dia estadual. Em 12 anos, o \u00edndice de envelhecimento saltou de 29,7 idosos para cada 100 crian\u00e7as para 66,4. O aumento de 123% foi o segundo mais intenso entre as capitais do Brasil, abaixo apenas do registrado em Palmas (TO). A capital baiana \u00e9 a nona mais envelhecida do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>No estado como um todo, o \u00edndice de envelhecimento aumentou 86%, passando de 28,3 para 52,6 idosos a cada 100 crian\u00e7as de at\u00e9 14 anos, de acordo com os dados do Censo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Jornal Correio <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sabe aquela frase que diz que os pais criam os filhos para o mundo? Em Aba\u00edra, cidade baiana de pouco mais de 7,3 mil habitantes, o ditado \u00e9 levado a s\u00e9rio. Jovens adultos que n\u00e3o querem trabalhar no com\u00e9rcio, prefeitura ou na zona rural deixam o munic\u00edpio em busca de oportunidades de emprego e renda. 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